CDS quer saber se o país está preparado para conter casos do novo coronavírus
Terça, 11 Fevereiro 2020 11:01    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

coronavirusNuma pergunta dirigida à Ministra da Saúde, os deputados do CDS Ana Rita Bessa e Telmo Correia querem saber se Portugal está preparado para conter casos do novo coronavírus (2019-nCoV) que possam vir a surgir.

Ana Rita Bessa e Telmo Correia questionam também se a ministra partilha da opinião da Diretora-Geral da Saúde, quando considera que fazer rastreios nos aeroportos é pouco eficaz e que o método mais adequado para despistar possíveis casos de infeção por vírus é a divulgação de informação a bordo dos aviões, ou se, por outro lado, vai corresponder ao apelo do Conselheiro das Comunidade Portuguesas em Macau para que rastreie a população chinesa, inclusive de Macau, à chegada ao território nacional.

Os deputados do CDS querem depois saber que tipo de formação, e informação, tem sido dada aos profissionais dos hospitais onde possam ficar doentes ou casos suspeitos em isolamento, se foi dado algum tipo de formação às corporações de Bombeiros sobre como lidar com casos suspeitos e se a ministra confirma que os bombeiros não receberam material específico para lidar com o coronavírus.

Finalmente, Ana Rita Bessa e Telmo Correia questionam qual será exatamente o papel da Task-Force criada pela DGS e se a ministra considera que é suficiente a criação de grupos de trabalho, ou de Task-Forces, quando a nível mundial a maioria dos países tem vindo a intensificar a tomada de medidas de prevenção.

A comunicação social deu nos últimos dias conta de um artigo publicado na revista científica ‘Acta Médica’, no qual um grupo de especialistas portugueses em saúde pública considera que Portugal pode não estar preparado para conter casos do novo coronavírus (2019-nCoV) que possam vir a surgir.

Como exemplo, é escolhido o caso de um suspeito que não foi logo encaminhado para um dos hospitais de referência, acabando depois por não se confirmar a sua infeção: «A falta de preparação que testemunhamos lidando com um único caso suspeito (felizmente, não confirmado) deve ser usada para ajudar os cuidados de saúde e os serviços a corrigirem os seus erros e ficarem mais bem preparados», afirmam os especialistas, para quem «essas lições deveriam ter sido aprendidas há muito tempo, após as emergências da gripe aviária H5N1, da SARS, da pandemia H1N1 [que aconteceu em 2009 e ficou conhecida inicialmente por gripe A] e do MERS-CoV».

Sobre a necessidade ou não de quarentena, à semelhança de medidas que têm vindo a ser implementadas em vários países ao longo das últimas semanas, este grupo de especialistas frisa que, mesmo apesar de a lei portuguesa não prever a obrigatoriedade de quarentena, que só pode ser feita mediante a aceitação dos visados, «a defesa da saúde pública deve sempre ter precedência» sobre a defesa das liberdades de cada um.

O Bastonário da Ordem dos Médicos alertou, por outro lado, sobre a necessidade de ser dada mais informação aos profissionais dos hospitais onde possam ficar doentes ou casos suspeitos em isolamento, e o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses avisou que «os bombeiros não receberam material específico para lidar com o coronavírus» e que, «muitas vezes, o que se faz é uma gestão de sobras do tempo da gripe».

Também «o Conselheiro das Comunidade Portuguesas em Macau apelou a Portugal para que rastreie a população chinesa, inclusive de Macau, à chegada ao território nacional, para se detetar o novo coronavírus». O conselheiro defendeu ainda que, «de uma maneira geral, todos aqueles que vêm da China devem estar sujeitos a quarentena».

O CDS considera estas recomendações muito importantes, ainda mais vindo, algumas delas, da parte de reputados especialistas em saúde.

Mas apesar de todas estas recomendações, a Diretora-Geral da Saúde tem vindo a afirmar que a DGS não tem intenção de fazer rastreios nos aeroportos, que considera serem «pouco eficazes», e considera que «o método mais adequado para despistar possíveis casos de infeção por vírus é a divulgação de informação».

Assim, os passageiros de voos provenientes da China vão receber nos aviões folhetos informativos sobre o que devem fazer à chegada a Portugal, em caso de suspeita de sintomas de infeção pelo novo coronavírus.

Entretanto, a 5 de fevereiro, a DGS publicou um Despacho de «Atualização da Task-Force para a infeção por novo Coronavírus (2019-nCoV)», da qual constam 56 especialistas, podendo «ser chamados ser chamados a colaborar outros especialistas, a título individual ou como representantes de serviços ou organismos dependentes do Ministério da Saúde ou de outras instituições».

Ainda de acordo com o Despacho, «os trabalhos a desenvolver pela Task-Force realizar-se-ão com base nos níveis de alerta e recomendações emanados pela Organização Mundial da Saúde (WHO) e Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), e avaliação de risco em Portugal».

 

Deputados CDS

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Cecília Meireles

Círculo Eleitoral Porto Presidente do Grupo Parlamentar

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Ana Rita Bessa

Círculo Eleitoral Lisboa

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João Gonçalves Pereira

Círculo Eleitoral Lisboa

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João Pinho de Almeida

Círculo Eleitoral Aveiro

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Telmo Correia

Círculo Eleitoral Braga