Eutanásia: CDS-PP confronta primeiro-ministro com carências nos cuidados paliativos
Terça, 18 Fevereiro 2020 17:14    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

cecilia meireles is 2020A líder parlamentar cessante do CDS-PP, Cecília Meireles, questionou hoje o primeiro-ministro, António Costa, sobre aquilo que o Governo pode fazer para “evitar sofrimento que pode ser evitado com cuidados paliativos” prestados a doentes em fim de vida.

A dois dias da discussão dos projetos de lei sobre a despenalização da eutanásia, na sua última intervenção como presidente da bancada centrista, que hoje tem eleições marcadas, Cecília Meireles escolheu para o debate quinzenal com o primeiro-ministro dois temas de saúde, a defesa da parceria público-privado do Hospital de Braga, entretanto integrado na gestão pública, e os cuidados paliativos a doentes em fim de vida.

“Em 2018 cerca de 102 mil doentes adultos precisaram de cuidados paliativos, só 25% tiveram acesso a estes cuidados. Cerca de oito mil crianças precisaram de cuidados paliativos, só 80 crianças conseguiram ter acesso aos cuidados paliativos de que precisaram”, ilustrou.

Segundo Cecília Meireles, “num setor que precisa de 496 médicos, há apenas em Portugal 66. Num setor que precisa de 2.384 enfermeiros em Portugal há apenas 243”, sendo “a mediana do tempo de dedicação semanal de menos de 45 minutos na medicina”.

“O que é que o Governo pode fazer para evitar sofrimento que pode ser evitado com cuidados paliativos?”, questionou a líder parlamentar do CDS-PP.

Cecília Meireles acabou por dedicar o seu tempo no debate quinzenal exclusivamente aos cuidados de saúde, começando por sublinhar que a gestão pública ou privada dos hospitais não deve ser o fundamental, mas sim a primazia dada aos doentes, numa introdução à defesa da manutenção da parceria público-privado do Hospital de São Marcos, em Braga.

“A prioridade são os doentes, não é a ideologia nem os preconceitos ideológicos de alguns partidos”, sublinhou, questionando porque é que os doentes de Braga “merecem menos” do que os de Cascais, caso de uma parceria público-privado.

O primeiro-ministro respondeu que não existe um preconceito, mas opções constantes do programa de Governo e da lei de bases da saúde, referindo que, no caso de Braga, não obstante a “avaliação positiva”, o concessionário entendeu que “não queria continuar” e a unidade foi integrada na gestão pública.

Cecília Meireles ainda desafiou: “Ainda vai a tempo de abrir um concurso, senhor primeiro-ministro”.

“É um problema que está ultrapassado, está integrado e assim vai prosseguir”, replicou António Costa.

A líder parlamentar do CDS-PP ainda quis rematar: “Está ultrapassado para si, senhor primeiro-ministro, mas para quem precisa de ir ao Hospital de São Marcos, em Braga, olhe que acho que não está nada ultrapassado, e que ainda temos de voltar a este assunto”.

 

Fonte: Lusa

 

Deputados CDS

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